VOTAÇÃO DO OE – 10H30 ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA

FALTAM CERCA DE 6000 TRABALHADORES NÃO DOCENTES NA ABERTURA DO ANO LECTIVOFoi com espanto que esta Federação tomou conhecimento através de uma notícia na comunicação social de que o Ministério da Educação decidiu autorizar a contratação de 300 novos funcionários para dar resposta às “necessidades urgentes” e evitar o encerramento de escolas por falta de assistentes operacionais (auxiliares de acção educativa). Esta informação, não traz nada de novo, confirma, isso sim, que o ME vai continuar a recorrer ao  emprego precário e que vai juntar estas 300 contratações às largas centenas de trabalhadores, contratados a termo certo, para este ano letivo,  pagos 3,49€ por hora, por períodos diários de trabalho que variam entre as 3,5 e as 4 horas, para suprir necessidades gerais urgentes, mas que são de facto funções de carácter permanente, como esta Federação vem denunciando.

 

Assim, o actual Governo do PS continua a “tapar o sol com a peneira” e a não tomar as medidas políticas que reponham a legalidade, acabem com a exploração dos trabalhadores não docentes e garantam um funcionamento de qualidade das escolas Rede Pública.

Opta por contrariar o que a Secretária de Estado Adjunta e da Educação assumiu em reuniões com Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais, que o Ministério conhece o problema e que iria tomar medidas políticas necessárias para pôr fim ao recurso ao trabalho precário e aos contratos Emprego/Inserção.

Esta notícia contraria  também a posição pública do Ministro da Educação que afirmou que irião ser abertos concursos para a integração nos mapas de pessoal dos (cerca de 2822) trabalhadores com  contratos precários, celebrados pelo anterior governo, que o ME este ano renovou por mais um ano.

A FNSTFPS considera, como transmitiu oportunamente à Secretária de Estado Adjunta e da Educação, que estas medidas são inaceitáveis porque mantêm a ilegalidade da contratação a termo certo e parcial para suprir necessidades permanentes e o recurso a CE para manter as escolas em serviços mínimos, o que leva a que, em muitos períodos, as escolas funcionem com pavilhões encerrados por falta de pessoal e a um aumento da degradação das condições de trabalho. 

A FNSTFPS avalia que, para além dos trabalhadores com contrato a termo indeterminado (dos mapas), são necessários cerca de 6000 trabalhadores para colmatar a falta de pessoal e pôr fim às ilegalidades de contratação já descritas, pelo que defende: 

A contratação e a gestão do pessoal não docente, em exclusivo, pelo Ministério da Educação;

A alteração da portaria de rácios, que define o número de trabalhadores não docentes por escola, considerando as necessidades efectivas para garantir as funções permanentes;

O abandono definitivo do processo de municipalização e a reintegração dos trabalhadores não docentes que actualmente estão em mapas de pessoal dos Municípios, em quadros de pessoal concelhios do ME, definidos na lei; 

O descongelamento de vagas para a celebração de novos contratos e a transformação dos actuais contratos a termo certo e outras formas precárias, em contratos sem termo, que correspondam a necessidades permanentes das escolas; 

A reposição da carreira especial de pessoal não docente. 

Exigimos que o Governo do PS ponha fim à política de “tapar o sol com a peneira”; que sejam reflectidas no “OE 2017” opções políticas que reponham  a legalidade na contratação de pessoal; que acabem com a exploração de trabalhadores não docentes e que garantam um funcionamento de qualidade das escolas Rede Pública e do serviço público que prestam às populações.